terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Deus, nossas escolhas e os deslizamentos de terra no Rio de Janeiro


Nos últimos dias todos tem acompanhado com pesar no coração o sofrimento das vitimas dos deslizamentos e inundações na região serrana do Rio de Janeiro. De fato a situação é alarmante e em meio a tanto sofrimento é perfeitamente lícito que o cristão e principalmente o incrédulo se perguntem: “Por que Deus permite que tais coisas aconteçam?”

Antes de tudo quero dizer que você não é nenhum tipo de “fraco na fé” ou “anão espiritual” por se indagar esse tipo de coisa. Uma atitude do tipo “Ah! Eu nunca me faço esse tipo de pergunta. Minha fé me é suficiente!” me parece totalmente arrogante e insensível. De fato, pessoas que declaram esse tipo de coisa estão querendo aparecer em uma espécie de “espiritualidade inabalável” e conseguem, em minha opinião, justamente o contrário pois, demonstram uma falta de misericórdia imensa para com as vítimas. Assim, questionar-se acerca destas coisas não consiste nenhum pecado. No entanto, permitir que este questionamento lhe atormente sem procurar resolve-lo de alguma forma constitui-se num grande erro. O cristão que permite que a duvida e a incerteza habitem livremente sua mente não sabe que tipo de risco esta correndo. Temos de sair de nossas estagnações intelectuais e buscar soluções para lidar com as duvidas que muitas vezes assolam nossos corações. Penso que essa é a função do grande presente que Deus nos deu: o Intelecto. Nesse caso, a Apologética, que tem o intelecto como seu principal pilar, pode nos ser grande aliada para pensarmos questões tão complicadas como esta dos “desastres naturais” (quero deixar bem claro aqui as aspas).

Feitas estas ressalvas iniciais eu quero compartilhar com os ouvintes alguns aspectos que geralmente não são explanados ou lembrados em horas catastróficas como estas. Quero deixar bem claro que de forma nenhuma esses aspectos aliviarão os sofrimentos das vítimas ou de seus familiares, ou mesmo o nosso sofrimento diante de tais acontecimentos. Esses argumentos previnem a geração de mais sofrimento. O sofrimento que estes argumentos podem prevenir é aquele gerado pelo afastamento das pessoas com relação a Deus. Se deixarmos que as pessoas acreditem que tal catástrofe é da vontade de Deus permitiremos a geração de mais sofrimento. De fato, o que todos mais precisamos agora é do conforto do Espírito Santo e não de rejeitar sua fonte.

É um erro gravíssimo do senso comum dizer diante dos infortúnios da vida “Ah, mas fazer o que, era da vontade de Deus que isso ocorresse”. Essa frase transmite e consolida uma imensa falsa impressão acerca do que a bíblia ensina sobre a Vontade de Deus. De fato Deus é onipotente e pode por isso fazer todas as coisas da forma como Ele deseja. Salmo 115.3 diz que o Senhor esta nos céus e tudo fez como lhe aprouve. No entanto, Deus na sua infinita sabedoria escolheu criar seres que tem livre-arbítrio e para que isso ocorresse de fato, para que este livre-arbítrio não fosse apenas nominal, mas real, Deus tem de permitir que certas coisas, muitas vezes terríveis, aconteçam.

O fato latente do livre-arbítrio humano aliado a existência também real e latente do pecado impuseram algumas características novas ao todo da existência neste mundo. Vejamos quais foram estas características:

O livre-arbítrio é a característica ultima do ser humano criado por Deus. O poder de fazer suas próprias escolhas sem ser de nenhuma forma pré-determinado. Ao contrário do que querem alguns essa doutrina esta espalhada por toda a bíblia. Os 4 primeiros capítulos do Genesis já demonstram o fato de que Deus escolheu não influenciar nossas decisões. O diálogo de Deus com Caim é claríssimo neste ponto. Em Genesis 4.7 Deus diz a Caim:

Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.

Na verdade argumentar que Deus faz as pessoas escolherem coisas livremente é um absurdo (tenho “vergonha alheia” por irmãos nossos que insistem em apresentar esse argumento). Dizer que alguém te fez escolher algo livremente é como dizer que há um solteiro casado ou mesmo dizer que a famosa bola-quadrada existe. Ambas estas coisas não podem ter existência real, são somente uma combinação errônea de palavras, enfim, absurdos lógicos. Deus não criou absurdos lógicos. Eu e você somos criaturas plenas de uma liberdade de escolha verdadeira e não de um embuste. Se Deus nos controlasse como a marionetes de fato nunca teríamos pecado ao passo que Ele nunca poderia nos ter juntamente com Ele por livre e espontânea vontade.

Dessa forma concluímos que Deus escolheu lidar com os impactos das decisões de suas criaturas! A partir do momento que Deus escolheu criar seres livres é obvio que não seria mais apenas a vontade dEle que ocorreria no mundo mas também as vontades advindas das escolhas desses seres! Surge então um conceito tão interessante quanto desconhecido pelos cristãos em geral: o da vontade permissiva de Deus.

A vontade de Deus e a vontade permissiva de Deus são duas coisas que em grande parte das vezes é bastante diferente. A diferença é muito simples: quando eu peco direi que foi da vontade de Deus?! Ora, isso me parece completamente absurdo. Imagine uma cristã que ao engravidar antes de se casar diga: “Eh.. foi da vontade de Deus que eu tivesse esse filho agora”. É claro que não foi da vontade de Deus! A vontade de Deus sobre a geração de filhos esta expressa na bíblia e é a de que isso ocorra dentro de um casamento. O que ocorre é que Deus não iria mandar um anjo para impedir o ato sexual que gerou esta criança. De fato Deus poderá abençoá-la e perdoá-la, mas é da natureza de Deus que é um Pai amoroso que corrige seus filhos deixar que as pessoas enfrentem as conseqüências de seus pecados. Lembre-se como Deus abençoou e fez grandes promessas a Ismael e sua mãe Hagar, apesar deste nascimento não ter sido da vontade de Deus. Mantenha essa ideia em mente, pois a retomaremos adiante. Assim, Deus pode fazer sua vontade aonde e como quiser, no entanto, o crivo da palavra de Deus nos ajudará a discernir o que foi da vontade de Deus daquilo que Deus permitiu que tenha ocorrido em respeito a sua própria decisão de criar seres com livre-arbítrio.

A segunda característica que influi diretamente na gama dos acontecimentos nesta existência é o pecado. A questão crucial é que em Genesis 2.15 Deus fez um trato com o ser humano; sim um pacto importantíssimo regulamentado por este versículo. É obrigação do ser humano zelar da natureza que Deus criou e desde Adão, infelzimente, nós não temos feito isso. É um preceito sistemático na bíblia que quando o homem pecou a natureza foi drasticamente afetada pela queda de sua coroa. Genesis 3.17 diz que “maldita é a terra por causa do homem” no versículo 18 Deus prossegue dizendo que a terra passará a produzir “espinhos e abrolhos” uma clara metáfora apontando para o fato de que a terra não seria mais pacífica ao ser humano. O apóstolo Paulo escrevendo aos romanos no capítulo 8 verso 22 diz que a natureza geme como se tivesse com dores de parto, sofrendo por conta do pecado do ser humano. Assim, nós encontramos na própria bíblia uma informação alarmante: as chamadas catástrofes naturais são conseqüência do nosso próprio pecado!

Deus continuará permitindo que enfrentemos as conseqüências dos nossos pecados pois, de outra maneira jamais aprenderemos nossa lição. Deus não pode ser culpado por tais acontecimentos simplesmente porque dentro de seus planos não havia catástrofes naturais, Deus não as gerou, o pecado do homem claramente fez isso! Em especial um pecado muito específico que podemos mapear sem maiores dificuldades: A incompetência do ser humano em cumprir a missão dada em Genesis 2.15. Porém, nós não apenas não cuidamos da natureza nós a destruímos.

E agora chego especificamente ao caso da região serrana do Rio de Janeiro. Todos nós nos lembramos de nossas aulas de geografia no ensino médio quando aprendemos que a Mata Atlântica esta praticamente extinta. A maioria de nós hoje se mostra profundamente condoída com o sofrimento que a natureza pode nos causar, mas não dá a mínima importância para o sofrimento que nós temos causado a ela. Choramos com razão os mais de 700 seres humanos que ali morreram, mas não derramamos uma lágrima sequer por cada criatura de Deus que foi arrancada daquelas encostas. De fato é bíblica a idéia de que uma vida humana apenas vale mais que o mundo inteiro, no entanto, também é bíblica a ideia de que era nossa responsabilidade cuidar do lar que Deus nos deu.

Culpar Deus pelo volume desregrado de chuvas que acometeu a região serrana do Rio é pensar que Deus ordenou pessoalmente que cada arvore da mata atlântica fosse derrubada, ou seja, é totalmente absurdo. Ademais Deus não criou um planeta minúsculo, seria de fato culpa de Deus se aquelas pessoas não tivessem nenhum outro espaço para viver, mas isso não é verdade. Essas pessoas não estavam ali por que Deus negou espaço físico para que o homem vivesse, há enormes regiões desabitadas em nosso país e no planeta, basta assistirmos 1 hora de Discovery Channel pra constarmos isso. Quem negou espaço descente para que aquelas pessoas morassem foram os homens. Os homens públicos que negociando votos pleitearam permissões legais para que pessoas, muitas vezes pobres, pudessem construir suas casas em locais de risco. Os dados estão aí para quem quiser ver, inundações causando centenas de mortes na mesma região tem acontecido sistematicamente nos últimos 40 anos. Nós, no entanto, pouco fazemos para que as pessoas não voltem a morar em locais com este. Se fossemos de fato uma nação de maioria cristã, como professam os brasileiros ser, não permitiríamos que pessoas vivessem em locais que tem por nome “Sumidouro” e “Areial”! Os próprios nomes dos locais nos informam de suas características de natureza agressiva.

Por fim devemos nos lembrar que continuaremos a encarar o salário do pecado, mas que, no entanto Deus já solucionou esse problema. Sim, em Jesus Cristo todos aquelas que creram e estavam ali já estão na Glória Eterna desfrutando de uma vida incomparavelmente melhor do que minha e a sua. Ao mesmo tempo o ser humano tem a oportunidade de agir em prol do próximo, ação esta que infelizmente, na maioria das vezes, só é posta em prática diante da catástrofe. Por fim eu afirmo que nada disso precisava ter acontecido. Com certeza Deus usará todo esse mal, provocado por nós, para dele retirar incontáveis bens, mas mesmo assim isto ainda não significa que era seu desejo que tal coisa acontecesse. É hora de nos aproximarmos de Deus, orar e agir em favor das vítimas, não das chuvas, mas das vítimas de uma série de descasos e omissões nossas.

Que Deus nos dê forças para encarar o sofrimento que nossas escolhas tem produzido.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dia da Bíblia


Ontem foi o dia da Bíblia!
Para comemorar, faço minhas as palavras do tecladista do Petra:


Petra - Counsel of the Holy
Letra em Música: John Lawry

http://www.youtube.com/watch?v=NDFpT_Wwmf0&feature=related (Para ver o Clip)

Conselho do Santo
Há uma luz que queima na escuridão
Um livro de Esperança
Uma luz matutina
Rompendo pelos montes
Para onde a águia voa
Nos dá asas para tocar o céu
É a sabedoria do sábio

Conselho do Santo
A Palavra escrita de Deus
A sabedoria chora para que todos leiam
Conselho do Santo
O maior livro de todos
É o caminho para a vitória

Um livro de maravilha
Um livro de vida
Um livro de promessas fieis e verdadeiras
Um livro de milagres para todos que acreditarão
Um livro de sabedoria para todos que receberão

O conselho do Santo
A Palavra escrita de Deus
A sabedoria chora para que todos leiam
Conselho do Santo
O maior livro de todos
É o caminho para a vitória
A sabedoria clama para que todos leiam
A sabedoria clama para que todos leiam

Mais valioso que rubis
Mais valioso que ouro
Poderosa é a sabedoria do Senhor

domingo, 7 de novembro de 2010

Comentários acerca de "Deus: uma biografia" de Super Interessante


Ok caro leitor, o que tem de novo nessa matéria da Super Interessante?! Só o fato dela ser veiculada em novembro. Geralmente as revistas e canais de TV onde se veiculam as patacoadas cientificistas concentram sua munição no mês de dezembro. Tirando esse ataque inesperado (ponto para eles porque em questões estratégicas ataques surpresa quase sempre são bem sucedidos) o resto é apenas mais do mesmo. Sim, mais do mesmo. Em “Deus: uma Biografia”[1] encontramos o mesmo comportamento tendencioso de sempre, a mesma rasura de argumentação, sempre muito bem disfarçados por figuras bonitas de se ver e passagens poeticamente pobres. No mais recente ataque da representação cientificista à existência de Deus o que não falta são generalizações infundadas, utilização mal intencionada do método das ciências humanas e é claro, o que seria de uma reportagem como essa sem as nossas queridas falácias?! Enfim o pacote é completo e no capricho. No entanto, para se defender de técnicas de batalha antigas não é necessário muitas inovações no sistema defensivo. O cientificismo não esta contribuindo muito com o desenvolvimento da apologética cristã pois, se eles continuarem batendo sempre nos mesmo argumentos nós nem precisaremos criar refutações novas (risos).

Vamos então a uma analise de todo esse discurso. Vejamos o trecho que apresenta a ideia guia da matéria "[...] Essa concepção [tradicional sobre Javé], que hoje parece eterna, de tanto que a conhecemos, não nasceu pronta. Ela é fruto de fatos históricos que aconteceram antes de a Bíblia ser escrita. O próprio Javé foi uma divindade entre muitas. Fez parte de um panteão do qual nem era o chefe. O fato de ele ter se tornado o Deus supremo é marcante [sic]É essa a história que vamos contar aqui. A história de Javé, a figura que começou como um pequeno deus do deserto e depois moldaria a forma como cada um de nós entende a ideia de Deus[...]". [2] Parece Intelectual não?! Coisa descolada, de gente que não se prende a concepções do passado! – pode ate parecer, mas também parece coisa de gente que não entende muita coisa sobre a ordem dos fatos ocorridos e que entende muito menos coisa ainda sobre teologia.
No entanto as “dificuldades de compreensão” das quais a matéria se utiliza para criar confusão na cabeças das pessoas não serão mais dificuldades se passarmos a entender uma chave de compreensão que nós chamamos de “Revelação Progressiva”. O fato é que hoje essa é uma corrente muito forte e séria na teologia. Essa forma interpretativa compreende que a revelação de Deus aos homens foi e é progressiva. Crer e entender assim não exige nenhum compromisso com a teologia liberal (compromisso esse, que quem acompanha meu blog sabe que eu estou longe de ter). O que ocorre é que descobrir que Deus se revelou aos homens progressivamente explica muito satisfatoriamente todos esses “desencontros” e “dificuldades” explorados pelos céticos sem de maneira alguma reduzir a pessoa de Deus. O que para os céticos foi uma sucessão de acontecimentos históricos que moldou uma concepção sobre Deus, para a Revelação Progressiva foi uma sucessão de acontecimentos históricos em que o próprio Deus revelou de Si mesmo a nós, moldando sim o que nós sabíamos sobre Ele e não a nossa concepção sobre Ele. Mudar o que nós sabemos sobre algo é diferente de mudar o que criamos sobre algo. Quando vamos descobrindo cada vez mais informações sobre alguma coisa ou pessoa nós obviamente não estamos inventando aquela coisa ou criando aquela pessoa, nós estamos adquirindo informações sobre a coisa ou a pessoa! Para compartilhar da visão cética você tem que acreditar que os dinossauros só passaram a existir quando os humanos descobriram as primeiras ossadas. Nós não suscitamos os dinossauros a existência quando passamos a adquirir informações sobre eles e muito menos fizemos isso com Deus quando passamos a receber dEle sua própria revelação sobre Si mesmo. Muitos dos conceitos que hoje utilizamos para descrever a pessoa de Deus só vieram a existir séculos depois dos Salmos serem escritos, mas esses conceitos já figuravam naquele livro, obviamente expressos da forma com a linguagem disponível permitia. Deus auto-limitou sua grandeza para poder se fazer entender ao homem.

Perceba como o entendimento da revelação progressiva, por exemplo, explica a sandice defendida pela matéria de que El e Javé (que a partir daqui chamarei de Yahweh) eram dois deuses diferentes! Antes do evento narrado em Êxodo 3.1-15 ninguém sabia o nome de Deus! Veja o texto (Que oferece argumentos muito fortes a favor de uma revelação progressiva de Deus):

1.E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Midiã; e levou o rebanho atrás do deserto, e chegou ao monte de Deus, a Horebe. 2.E apareceu-lhe o anjo do SENHOR em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia. 3.E Moisés disse: Agora me virarei para lá, e verei esta grande visão, porque a sarça não se queima. 4.E vendo o SENHOR que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui.5.E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa.6.Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus.7.E disse o SENHOR: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. 8.Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do perizeu, e do heveu, e do jebuseu. 9.E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem.10.Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito. 11.Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? 12.E disse: Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte. 13.Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? 14.E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. 15.E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração.


O texto mostra claramente que Deus revelou seu nome aos Israelitas muito tempo depois de já ter começado a se relacionar com eles. Deus comunica a Moisés que “ELE É O QUE É” e que este é de fato seu nome, ou seja, Yahweh. Mas Ele não para por aí! Veja novamente o que diz o versículo 15. Deus, agora apresentado nominalmente, faz questão de que não ocorra nenhuma confusão. É como se ele dissesse “Veja Moisés, para que fique bem claro, estou te dizendo aqui, de minha boca, que eu sou o mesmo Deus que se revelou a Abraão, o mesmo Deus que se revelou a Isaque e o mesmo Deus que se revelou a Jacó.” Abraão conhecia a Deus como Adonai e como El Elyon, mas é o próprio Yahweh que esta dizendo a Moises que Ele era e é Adonai e El Elyon. Como pode então Super Interessante, ou quem quer que seja, afirmarem que El e Yahweh eram dois deuses diferentes?! Como Yahweh irá disputar algo com El, sendo que Ele afirma ser El apenas outra forma dEle ser conhecido?! El, palavra que significa “Poderoso”, era uma palavra usada como sufixo ou prefixo pelos cananeus para designarem poder divino ou divindade de maneira genérica, ou seja, não somente uma divindade específica. Assim Abraão conhecia Deus pelo nome de El Elyon (Deus Altíssmo) ou simplesmente Adonai (“Senhor”), porém é o próprio Yahweh que nos testemunha sobre o fato de Abraão estar adorando a Ele. Assim percebemos que até do ponto de vista ceticista apresentar El e Yahweh disputando a liderança de um panteão de deuses é uma tese fraca e sem sentido. Dando uma colher de chá para os céticos seria muito mais plausível afirmar que o autor do texto de Êxodo quis englobar todos aqueles deuses em um só. Argumento que também seria invalido já que Deus nunca exigiu que o chamassem exclusivamente de Yahweh.

Outro argumento apresentado pela revista para sustentar que Yahweh era mais um entre tantos outros deuses é o Salmo 82. E aí o texto fora de contexto corre solto. Veja o Salmo:

1.Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses. 2.Até quando julgareis injustamente, e aceitareis as pessoas dos ímpios? 3.Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado.4.Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios.5.Eles não conhecem, nem entendem; andam em trevas; todos os fundamentos da terra vacilam. 6.Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo. 7.Todavia morrereis como homens, e caireis como qualquer dos príncipes. 8.Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois tu possuis todas as nações.

O próprio Jesus em João 10.32-37 cita e esclarece esta passagem.

32.Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? 33.Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo. 34.Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? 35.Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), 36.Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus? 37.Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis.

Vemos que a palavra “deuses” do versículo 6 esta claramente se referindo a pessoas que possuem algum poder político-econômico e que apesar de conhecedores da palavra de Deus, como Jesus explica, nada fazem para livrar o pobre e o necessitado. Aqueles que deveriam ser diferenciados por serem portadores da palavra de Deus, filhos do Altíssimo não escapariam de morrerem como homens comuns ou qualquer outro príncipe pois, só conheciam a palavra porém, não a praticavam! Além do mais a palavra original elohin, que é traduzida para o português como deuses é usada para designar pessoas com cargos de comando em outros locais do Antigo Testamento. Ela é traduzida como ‘juízes’ em Êxodo 21:6 e 22:8, 9, 28, por exemplo.

O trecho da matéria que afirma que Yahweh era consorte de Ashera chega a ser uma afronta ao método de pesquisa histórico. Qualquer pesquisador que vá a um congresso de história apresentar uma argumentação destoante baseado em apenas duas inscrições controversas seria prontamente desacreditado. Mas quando se trata de atacar o Deus judaico-cristão qualquer uma inscrição já basta. Vale lembrar do escândalo infundado sobre o suposto túmulo dos filhos de Jesus. As duas inscrições foram encontradas entre 1975 e 76, no mesmo lugar, Kuntillet Ajrud, um local controverso no norte da península do Sinai pois, não se sabe ao certo se é um templo ou uma fortaleza. Veja as inscrições: “Abençoo-vos em YHWH de Samaria e sua Asherah” e “Abençoo-te em YHWH de Teman e sua Asherah.Ele te abençoa e te guarde e com meu senhor ”. Dizer que Yahweh tinha Asherah por esposa e que esta crença era comum em meio a todo povo israelita baseado em duas inscrições controversas encontradas exatamente no mesmo local é academicamente desonesto. Se as inscrições fossem ao menos encontradas em locais diferentes, com certa distancia, ou fossem inscrições comuns em toda palestina, mas não, são inscrições encontradas em um sítio arqueológico que, ainda por cima, possui pinturas de diversas divindades fenícias e sírias, ou seja, claramente um local de extremo sincretismo religioso. De quebra nós ainda temos uma grande parte dos especialistas que argumentam que a palavra Asherah também era usada para designar um objeto de culto, uma estatueta qualquer. Enfim, ainda temos o problema de saber se a palavra na inscrição faz menção a deusa ou a esse objeto de culto [3].

Temos ainda por parte da matéria a afirmação de que o monoteísmo judaico só se consolidou após a morte do Rei Josias (séc. VII a.C.). Bastava aos autores da reportagem apenas uma consulta ao livro de I Reis no seu capítulo 18 [4] para entenderem que o monoteísmo se consolidara muito antes disto no episódio da vergonhosa derrota dos profetas politeístas frente a Elias no monte Carmelo (séc. IX a.C.). Ou seja, o monoteísmo foi consolidado em Israel 2 séculos antes do que afirmou a matéria de Super Interessante. O cético pode afirmar que o episodio do monte Carmelo é fantasioso, no entanto a história como disciplina, atualmente, sabe reconhecer muito bem a importância de eventos simbólicos como seria esta vitória de Elias e inclusive os trata como muito mais significativos para um povo do que eventos “naturais”. Aliás, para o mundo Antigo, eventos cujas narrativas são incorporadas com elementos fantásticos são muito mais importantes para a formação indentitária de um povo. Enfim, o monoteísmo esta consolidado entre os judeus desde o século IX a.C. crendo-se no fogo que desceu do céu para consumir as ofertas ou não. E veja caro leitor que estamos falando de consolidação e não de surgimento, por que nesse caso, o monoteísmo remonta já ao Pentateuco.

Vamos agora ao trecho em que Super Interessante dá explicações sobre de como teria surgido a concepção de divino no homem: “provavelmente vem da capacidade humana de detectar as intenções das outras pessoas. [sic] E a melhor maneira de tentar se antecipar a um adversário nos jogos mentais do dia é imaginar as intenções dele [...]"; logo, a "ideia de que há espíritos de toda sorte da natureza seria, assim, um efeito colateral do nosso sistema de detecção de mentes, tão hiperativo." A afirmação é ainda usada para convalidar a ideia de que "a espiritualidade faz parte de nossos instintos. É quase tão natural acreditar em divindade quanto comer ou dormir." [5] Nesse trecho nem é necessário muito comentário já que o próprio autor da matéria começa com um bom e sonoro “Provavelmente”. O que intriga mesmo é que por descuido, ou não, a mesma idéia aparece como afirmação na manchete da matéria. Aí o Compromisso é com o sensacionalismo e não com a informação. Além do mais, essa explicação naturalista e “psicologizante” para o surgimento do pensamento religioso até serviria, se as religiões fossem apenas formas de se explicar o mundo à volta do homem. Em posts anteriores já comentei aqui que as religiões que dão conta do relacionamento entre Deus e os homens e entre os homens e eles mesmos não se encaixam nessa explicação, o que acaba configurando uma generalização errônea por parte da matéria.

Vale lembrar que Super Interessante não ouviu sequer um especialista reconhecido em nenhuma das áreas que a matéria abordou [6]. Além disso, a matéria toda é baseada (pra não dizer copiada) em um único livro Deus: Uma Biografia, de Jack Miles, que alias também dá nome à matéria. Ou seja, toda a matéria não passa de a opinião de um único autor, enquanto a base do jornalismo sério é a pesquisa e a audição de diversas opiniões sobre um tema. É super interessante notar também que esse mesmo livro já foi base de uma matéria de capa da mesma revista em dezembro de 2005, ou seja, definitivamente parece-nos que a revista não esta muito interessada em apresentar uma outra visão sobre assunto. Não seria nada super surpreendente se daqui 5 anos tivermos uma nova matéria apresentando mais do mesmo...

A conclusão que chegamos é que a Biografia de Deus proposta por Super Interessante é rasa e simplista, para crentes e até mesmo para céticos. Serve apenas para atacar e desesperar os incautos, servir de “muleta” para a massa sempre aberta a uma boa desculpa para viver dissolutamente e principalmente para suprir de argumentos rasos e falaciosos a classe dos pseudo-intelectuais/neo-ateístas brasileiros. Abraços! Ps:. Por favor não publique trechos deste texto sem os devidos créditos e link do blog.

_____________________________________
[1] José Lopes e Alexandre Versignassi, Deus: uma biografia, Superinteressante, ed. 284, Novembro 2010, pp. 58-67.
[2] DB, p. 59.
[3] Keel, Othmar, and Uehlinger, Christoph, "Gods, goddesses, and images of God in ancient Israel" (Fortress Press, 1998) p.232-3.

[4] http://adventista.forumbrasil.net/acervo-teologico-f1/deus-mais-uma-biografia-nao-autorizada-t1317.htm
[5]DB, p. 60.
[6] http://adventista.forumbrasil.net/acervo-teologico-f1/deus-mais-uma-biografia-nao-autorizada-t1317.htm

Imagem do Post: Saint Andrew's Episcopal Church Window - The Triunph of Elijah

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Posicionamento Brejeiro sobre o posicionamento do Pr. Paschoal Piragine Jr.


Olha primeiramente eu gostaria de dizer da minha aversão a tratar de política em púlpito. O púlpito é uma espaço de poder por excelência. De lá, se prega a palavra de Deus. Quando o pregador fala a partir do púlpito ele tem a prerrogativa de deter a palavra. Se você for parar pra pensar a coisa acontece de maneira muito diferente da que acontece em uma escola bíblica dominical, por exemplo. Por que é tão diferente? Ora se você discorda de algo, ou tem algo a acrescentar durante uma aula você ergue a mão, pedindo a palavra, e o professor, caso seja descente, lhe passará a palavra e você discutirá com ele. No púlpito, isso não acontece. Se você discorda de algo que foi dito de púlpito o máximo que você poderá fazer é comentar com alguém que esta do seu lado. É por isso que o púlpito é um espaço de poder da palavra por excelência.

Mas por que então isso não te incomoda Raul? Receber uma mensagem sem poder reagir a ela, simplesmente ficar lá sentado ouvindo? Existe um “porém” nessa questão. Quando o espaço do púlpito é usado pra se explanar A verdade revelada pelo próprio Deus, aí não há problemas. A conclusão que eu quero chegar aqui é a seguinte: um pregador, pastor, padre, bispo, enfim, qualquer ser humano, que se use do espaço de poder da palavra por excelência só tem direito de proferir lá de cima A palavra de Deus, e mais nada. Qualquer outra coisa que não seja A palavra de Deus e suas aplicações não tem o direito de serem proferidas de cima do espaço de poder que o púlpito representa. As opiniões pessoais então, nem se fala, essas deveriam passar a milhas de distancia do púlpito.

Já falei sobre isso, em Conversações e Argumentações Brejeiras passadas, mas acabo sempre tendo de voltar a contar essa mesma historia. Centenas de cristãos, irmãos nossos, foram mártires no século XV, mortos em fogueiras ou simplesmente passados a espada mesmo, sem direito a julgamento; morreram em uma missão que, para a honra de Deus, hoje é currículo obrigatório na disciplina de história, morreram para fazer a reforma protestante. Naquela época o cristianismo sofria com as garras do estado em suas costas. Depois de vencida a luta o estado laico surgiu possibilitando a liberdade de culto, essa que você desfruta. Isso criou vantagens e desvantagens. Se nós não soubermos lidar com as desvantagens poderemos arriscar nossas vantagens.
Assim, na opinião desse locutor e blogueiro, todas as vezes que vamos discutir política dentro da Igreja, devemos fazer isso NÃO do púlpito. Fazê-lo do púlpito é covarde. Sim, é uma atitude covarde, pois massifica. Massifica porque não dá o direito de resposta e pior ainda, reveste do poder sacralizado algo que não é sagrado. Tudo que é dito do púlpito, infelizmente, sai com “tom de sagrado”, mesmo que não o seja.

Quando o pastor Piragine Jr. diz no púlpito de sua Igreja “Não vote no PT” ele esta sacralizando uma opinião pessoal dele. Uma opinião carregada de equívocos e com um passado pouco sólido. A opinião é lançada ao público revestida de “sacralidade” e pior ainda, duvidando da inteligência do fiel. Digo duvidando da inteligência, pois não é necessário ter graduação em filosofia pra saber que se eu digo em quem não votar eu obviamente estou dizendo em quem votar! Ora, se eu peço ao fiel da minha Igreja para que candidatos do PT não sejam eleitos eu obviamente estou requerendo do membro da minha Igreja que vote no concorrente direto dos candidatos do PT. A audiência desse programa e os leitores desse blog são gente pensante. Quando eu digo “A Dilma não pode vencer” eu não estou pedindo para você votar Marina, ou no Eymael! “É só prestar um pouquinho mais de atenção...”

Além disso tudo já citado o Pr. Piragine ainda fez outras coisas que me deixam bastante irritado. Ele aliou terrorismo de púlpito, distorção teológica e falta de ética ministerial. Três erros crassos, em uma tacada só. A propósito de convencer drasticamente os membros de sua igreja a não votarem em candidatos do PT, Piragine guarda a Graça e a Nova Aliança por alguns instantes na gaveta e insiste que Deus julgará nossa nação! Piragine nos conduz por 10 minutos a um passado onde reinava a Antiga Aliança e ensina a seus membros que Deus é uma espécie de grande hipócrita. Sim! É isso que esta nas entrelinhas da mensagem de Piragine. Pense um pouco. Tudo, simplesmente tudo o que é citado no videozinho sensacionalista que é mostrado já acontece no Brasil a muito tempo, porém, Deus só virá nos julgar se nós deixarmos que isso se institucionalize. “Ahhh se não tiver lei apoiando e acontecer, tudo bem, mais se a lei permitir, eita, aí ferrou, aí Deus vai vir aqui assolar agente, com algum terremoto ou coisa parecida.” Leitores e ouvintes, me ajudem por favor, o país do carnaval, do turismo sexual e da corrupção a mais de 500 anos vai ser assolado e julgado se legalizarmos o aborto e o casamento gay?! Que Deus hipócrita é esse que só julgará o pecado caso ele seja legalizado?! E mais, pelo que eu me lembre, se houvessem dois justos que fossem em Sodoma e Gomorra Deus os preservaria. E ainda estamos falando de um evento ocorrido no contexto da Antiga Aliança.

A falta de ética ministerial de Piragine fica por conta de fazer parecer a sua platéia que ele não estava os influenciando. Isso é falácia meus caros, isso é muito, muito grave. Em minha opinião, ficaria menos feio vir a púlpito pedir votos a Marina Silva, por exemplo. Agora, convencer pelo medo do julgamento divino?! Táticas medievais...

Ah! A propósito, sobre os aplausos que Piragine se permite receber no final de sua palavra, não vou nem tecer comentários...

Por fim, fica claro aqui que eu sou contra o aborto e o casamento gay. Porém, também sou contra a manipulação, a promiscuidade entre o Estado e a Igreja, o simplismo de análise e contra a utilização do púlpito para qualquer coisa que passe da pregação da palavra de Deus. E pra deixar todo tipo de ilusão de imparcialidade bem afastada desse blog fica aí pra quem quiser ler que eu vou votar na Marina Silva.

Abraço a ouvintes e leitores!

domingo, 12 de setembro de 2010

Liberdade - pt.III



Laís_ diz:
entao a gente só tem livre arbitrio pra escolhe a Deus?
Raul Vitor diz:
a resposta é:
SIM
quando vc escolhe Deus
Jesus te compra
sacou?
Laís_ diz:
nao parece legal
Raul Vitor diz:
ele te COMPRA
com o sangue dele
dai
vc é servo
e servo não faz mais o que bem entende
só que esse patrão
só te manda fazer o que é melhor pra vc mesmo
eeeeentao
obedecer esse patrão
é ser livre
pq ser livre é poder fazer sempre a melhor escolha
pra vc e pra quem tá a sua volta
a melhor escolha pra vc e pra quem tá a sua volta
é o "não-pecado"
Laís_ diz:
mas isso nao parece ser livre neh
é meio chato tbm
Raul Vitor diz:
se auto mutilar no pecado é liberdade pra vc?
é a outra opção que você tem
hehehe
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Laís é companheira antiga nas Tags "diálogos" aqui do blog.
Imagem do post: "Aslan fala a Edmundo"
Abraços a todos os leitores!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

"Há um problema com a Igreja?" As relações entre gente cansada de Igreja e a Espiritualidade Autêntica


Então.. Vamos começar do começo
Para entendermos o atual “estabelecido” de que a Igreja esta com problemas e tem que se “renovar”, “reinventar”, nos temos que procurar saber quando e porque foi que este tipo de pensamento surgiu.
Sim irmãos nós devemos pensar sobre isso: Porque em nossos dias corre a linha de pensamento que diz que a Igreja precisa dessa ou daquela novidade?
A 50 anos atrás irmãos, a Igreja ia muito bem obrigado, não que ela não tivesse problemas, mas seus membros não faziam um discurso do tipo "Precisamos urgentemente nos repaginar". O que foi que aconteceu de lá pra cá?
Vamos então a uma genealogia do problema.
Durante a primeira metade do século XX a América do Norte e a Europa passaram por um processo de total esfacelamento de todas as suas ideologias. Duas Guerras Mundiais proporcionaram a estes povos um esvaziamento total de sentido.
A confiança religiosa que o século XIX havia depositado no progresso científico desmoronou mediante a capacidade genocida que este “progresso” demonstrou.
Totalitarismo, Liberalismo, Comunismo. Todas as doutrinas que prometiam a verdade a europeus e norte-americanos se mostraram completamente infrutíferas.
Todo esse amalgama de experiências ruins criaram em europeus e norte americanos um mal estar silencioso e generalizado que encontrou um paliativo em uma espécie de “suicídio cultural” coletivo chamado de: Pós-modernidade.
Digo “suicídio cultural” porque esta pós-modernidade propõe a solução destes problemas através do abandono de tudo aquilo que se fazia no período anterior as duas grandes guerras, inclusive das coisas boas que se fazia.
A verdade se tornou grande vilã, foi parar no banco dos réus e juntamente com ela a religião.
E é aí que eu gostaria de chegar.
A pós-modernidade alcançou a religião; e aquilo que ela não conseguiu destruir ela conseguiu inculcar uma necessidade fulcral de mudança. Não estou aqui irmãos falando da mudança que vem de dentro para fora, a mudança boa, que nasce no coração de Deus, chega até nós através do chacoalhar do Espírito, enfim, não estou falando da mudança que nós mesmos como Igreja percebemos e sentimos necessidade. Eu estou falando da mudança que nós vem imposta, sorrateiramente, de fora para dentro, é dessa mudança que eu estou falando é e dessa mudança que tenho medo.
Irmãos, nosso povo não viveu os horrores da guerra, mais infelizmente muitas vezes nossas Igrejas tem assimilado os moldes importados de Igrejas que só aparentam ser saudáveis, mas que na verdade estão embebidas nessa “necessidade de mudança” que não partiu do coração de Deus, nem de um incomodar do Espírito, mais que partiu simplesmente da insatisfação HUMANA com a própria Igreja.
Em um mundo globalizado a cultura não tem fronteiras e estas coisas infelizmente tem chegado até nós.
Mas como essa subserviência a pós-modernidade, essa ânsia por ser “politicamente correto” chega a Igreja?
1 Co 6:15 - Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo?(parte a)

Ef 5:30 - Porque somos membros do seu corpo.

Aí esta meus irmãos. Nós somos a Igreja. Se uma vontade de mudar subserviente ao mundo, de fora pra dentro, chega até a Igreja, ela chega, infelizmente, através de nós.
E aí está a relação entre “Há um problema com a Igreja” e uma Espiritualidade Autêntica.
Se não estivermos verdadeiramente em sintonia com o Espírito nós mesmos estaremos insatisfeitos com as coisas como elas de fato devem ser e estaremos sempre vagando de novidade em novidade enquanto aquilo que Deus de fato quer pra sua Igreja vem da orientação de sua Palavra Revelada e da ação de Seu Espírito Santo, que esta DENTRO da Igreja e que fala de dentro para fora, e não de fora para dentro.
Irmãos se a Igreja tem algum problema é porque nós, pessoalmente, estamos tendo problemas! A Igreja somos nós, um corpo não pode ser saudável se tem membros doentes.
Ou por acaso alguém pode dizer que esta com gangrena na perna e esta saudável?!
Você que esta aqui essa noite insatisfeito com sua Igreja. Você pode começar a resolver esse problema na sua vida a partir de agora. Como?! Assumindo um monte de cargos e tentando fazer ao mesmo tempo o que você nunca fez? Não. Comece aperfeiçoando-se como Cristão!
Busque viver como se você de fato não fosse deste mundo, como se as realidades espirituais de fato fossem realidades. Entenda que você não é um profissional cristão, mais um cristão profissional e você vai ver como a Igreja passará a fazer sentido pra você!
A Igreja bíblica, neotestamentária NUNCA será suficiente pra você se a sua espiritualidade não for autêntica. Irmão, não tem jeito, sabe porque?!
Porque ela simplesmente foi projetada e é guiada por Cristo para conter pessoas que de fato se deixam guiar pelo Espírito Santo.
Se você não se permite guiar e moldar pelo poder do Espírito, para você as sugestões que vem de fora pra dentro serão sempre mais atraentes e “inteligentes” do que as sugestões que vem de dentro pra fora. Aquilo que o mundo pós-moderno acha que a Igreja deve ser vai ser sempre o que você quer a despeito daquilo que Deus quer pra seu rebanho.
Pra encerrar irmãos dois textos: Efésios 4 de 11 a 16 diz:

"E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,
Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,
Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.
Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor."

Mt 16:18 - "Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;"

Meus caros leitores, principalmente os Jovens, fica essa reflexão pra nós:
“Há um problema com a Igreja, ou há um problema comigo?!”
“Eu estou insatisfeito com a Igreja mais e minha própria vida cristã? Será que eu estou permitindo que o Espírito me torne apto a viver de fato a Igreja?
“Até quando nós vamos andar “enganados por homens”, querendo para a Igreja aquilo que vem de fora pra dentro ?”

Irmãos.. Gente cansada de Igreja É gente cansada de vida Cristã, cuidado.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ainda sobre anjos



Em Gênesis 6 não fala de anjos que caíram depois? - Walter Cruz, leitor do blog

Olá Walter. Primeiramente peço desculpas por demorar a te responder, estava fazendo algumas viagens devido o período de férias. Vejamos o texto:
Gn.6:4
"Ora, naquele tempo havia gigantes na terra; e também, depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome na antiguidade."
Bem, no texto nós não temos uma narrativa de uma "segunda queda de anjos" e nem um contexto para entender tal coisa.
Isso fica claro pois, a palavra usada no Antigo Testamento para "Anjo" é um termo que traduzido ao pé da letra significa "Mensageiro de poder" ou "Mensageiro poderoso". O termo "filhos de Deus" no caso está claramente sendo usado para fazer diferenciação entre pessoas tementes a Deus e pessoas ímpias. Dentro do AT a proíbição do casamento entre filhos de Deus e ímpios é amplamente difundida e seus resultados ruins para a fé do povo, por conta da mistura de culturas, são sempre ressaltados.
As raças de "gigantes e homens valentes" não tem sua explicação no fato existirem filhos de um cruzamento entre anjos caídos e humanas. Numa perspectiva de Teologia Sistemática, que é a mais correta, em minha opinião, para ser usada por crentes, podemos nos apoiar nas palavras do próprio Jesus que nos informa que os Anjos não casam e não se dão em casamento. Ora se os anjos não se reproduzem nem entre si, quanto mais com seres de natureza totalmente diferente como nós! Além do mais o texto é claro em informar que o fato dos "filhos de Deus" terem possuído as "filhas dos homens" aconteceu Depois de já existirem gigantes na terra então nem o erro de crer em uma segunda queda de anjos serviria como explicação para a existencia de gigantes!
Seja qual for a explicação para o registro da existência de gigantes pelo livro de Genesis de forma alguma essa explicação passa pela existência de uma "segunda queda de anjos" e menos ainda por um cruzamento de anjos caidos e seres humanos.
Este pode até ser um tema interessante e render boas estórias ficção mas não encontra nenhum embasamento bíblico sério.
Obrigado pela leitura, espero ter ajudado!

Abraços!