domingo, 23 de novembro de 2008

Os Cinco Argumentos do Tomismo


Tomas de Aquino (1226-1274) nasceu em Nápoles, sul da Itáia. é considerado um dos maiores filósofos e apologetas da história. Sua filosofia, o Tomismo, sempre teve objetivos claros: comprovar a logicidade da fé cristã. Assim, Tomás de Aquino reviveu em grande parte o pensamento aristotélco em busca de argumentos que explicassem os principais aspectos da fé cristã. Aquino não apenas utilizou a filosofia de Aristóteles a serviço da fé, mas ao faze-lo criou também uma síntese filosófica original.
Nesse post quero compartilhar as cinco provas da existência de Deus, segundo Tomás de Aquino. Elas seguem abaixo:

1. o primeiro motor - tudo aquilo que se move é movido por outro ser¹. Por sua vez, este outro ser, para que se mova, necessita também que seja movido por outro ser. E assim sucessivamente. Se não houvesse um primeiro ser movente, cairíamos num processo indefinido. Logo, conclui Tomás de Aquino, é necessário chegar a um primeiro ser movente que não seja movido por nenhum outro. Esse ser é Deus.

2. a causa eficiente - todas as coisas existentes no mundo não possuem em si próprias a causa eficiente de suas existências. Devem ser consideradas efeitos de alguma causa. Tomás de Aquino afirma ser impossível remontar indefinidamente à procura das causas eficientes. Logo, é necessário admitir a existência de uma primeira causa eficiente, responsável pela sucessão de efeitos. Essa causa primeira é Deus.

3. ser necessário e ser contingente - este argumento é uma variante do segundo. Afirma que todo ser contingente², do mesmo modo que existe, pode deixar de existir. Ora, se todas as coisas que existem podem deixar de ser, entao, alguma vez, nada existiu. Mas, se assim fosse, também agora nada existiria, pois aquilo que não existe somente começa a existir em função de algo que já exista. É preciso admitir, então, que há um ser que sempre existiu, um ser absolutamente necessário, que não tenha fora de si a causa da sia existência, mas, ao contrário, que seja a causa da necessidade de todos os seres contingentes. Esse ser necessário é Deus.

4. os graus de perfeição - em relação à qualidade de todas as coisas existentes, pode-se afirmar a existência de graus diversos de perfeição. Assim,afirmamos que tal coisa é melhor que outra, ou mais bela, ou mais poderosa, ou mais verdadeira etc. Ora, se uma coisa possui "mais" ou "menos" determinada qualidade positiva, isso supõe que deve³ existir um ser com o máximo dessa qualidade, no nível da perfeição. Devemos admitir, então, que existe um ser com o máximo de bondade, de beleza, de poder, de verdade, sendo, portato um ser máximo e pleno. Esse ser é Deus.

5. a finalidade do ser - todas as coisas brutas, que não possuem inteligência própria, existem na natureza cumprindo uma função, um objetivo, uma finalidade, semelhante à flecha dirigida pelo arqueiro. Devemos admitir , então, que existe algum ser inteligente que dirige todas as coisas da natureza para que cumpram seu objetivo. Esse ser é Deus.

No meio filosófico há muita gente que diz já ter refutado logicamente os argumentos de Tomás de Aquino. Eu particularmente nunca achei alguém que conseguisse me convencer de que os argumentos não são corretos. Principalmente 2, 3 e 5. O meu favorito é o três.
Obrigado por ler e aguardo comentários!
Abraços!

Referências Bibliográficas
Fundamentos da Filosofia: História e grandes temas.



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1.Ao tratar de filosofia, desvencilhe da sua mente a associação que correntemente fazemos entre "Ser" e "Algo vivo". Resumidamente, em Filosofia, "Ser" é uma unidade de existente.

2. Todos os seres que captamos pelos sentidos são seres contingentes, isto é, não possuem, em si próprios, a causa eficiente de suas existências. Portanto, para existir, o ser contingente depende de outro ser que representa a sua causa eficiente, chamado de ser necessário.

3. "deve" aqui não conota o sentido de "possivelmente" ou "provavelmente", como é de costume uso no "goianês", e sim tem um sentido imperativo.

domingo, 9 de novembro de 2008

Apologia da Apologética





I Pedro 3:14-16 “Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amendontreis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e teor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo”

A palavra Apologia é transliterada do grego e significa literalmente “defesa”. A apologética é a ciência ou disciplina que se esforça por apresentar a defesa da fé religiosa, existindo dentro e fora da Igreja cristã. Presumivelmente, a apologética aborda questões defendidas por alguma fé religiosa específica, como o cristianismo, mas que são negadas pelos incrédulos. No uso comum, a palavra é usualmente empregada para definir a defesa do cristianismo. A apologética tenta elaborar e defender uma visão cristã de Deus, da alma e do mundo, uma visão apoiada por raciocínios reputados capazes de convencer os não-cristãos da veracidade das doutrinas envolvidas. Trata-se também de um esforço para antecipar possíveis pontos de ataque, defendendo as doutrinas cristãs contra tais ataques.
Assim sendo o tema da nossa fala é um jogo de palavras “Defesa da defesa”, pois, nosso objetivo hoje é convencer o máximo de pessoas possível da necessidade eminente de se saber defender a fé que se professa.
Antes de tudo acho necessário mostrar a vocês que todo cristão verdadeiro é um apologeta, mesmo que não o saiba, ou, como veremos mais a frente, que não o queira ser . Qualquer pessoa que professa uma fé religiosa esta fazendo apologia dessa fé, ninguém em sã consciência defende algo no qual não acredita de fato, ou que pelo menos não concorde em partes. Dessa forma o que existe no mundo do cristianismo são apologetas despreparados e apologetas preparados. O que você deve entender é que esse é um embate do qual não há formas de escapar caso você queira ser verdadeiramente sal e luz nesse mundo. Vamos então a uma breve analise daquilo que este destacado no texto bíblico:

I - A palavra de Deus nos orienta a não nos amedrontarmos com as ameaças, nem ficarmos alarmados quando pessoas nos questionarmos a respeito daquilo em que cremos. Daí vem o seguinte questionamento: como não ficar alarmado e amedrontado com as perguntas que os incrédulos fazem se você de fato não possui argumentos que defendam as suas crenças?!? Segue logicamente que para cumprir esta exortação bíblica estudar é necessário.

II – Estando sempre preparado para responder TODO aquele que pedir RAZÃO da esperança que há em voz. Nesse trecho quero dar atenção a duas palavras, todo e razão. Devemos estar preparados para responder qualquer pessoa! O texto diz “todo aquele”, nosso testemunho dever ser o mais amplo possível. A segunda palavra é interessantíssima: razão. Veja, Pedro esta dizendo que você deve apresentar motivos da ordem do seu intelecto, argumentos que solidifiquem a sua esperança. Dizer a um não-crente que Jesus é bom, sem saber explicar o porquê de Jesus ser bom não vai adiantar nada caso essa pessoa tenha um grau mínimo de sendo crítico! Agora, caso você consiga versar com eloqüência sobre o plano da salvação aquela pessoa, caso não aceite a mensagem em seu coração, passará a te respeitar. Este é o assunto do terceiro destaque no texto.

III – Com boa consciência. Esta palavra no mundo antigo pode ser empregada em um sentido que é pouco utilizada hoje o qual temos acesso através de uma analise simples de radicais: com ciência. Ou seja, Pedro quer dizer que o cristão deve ter ciência daquilo que esta falando! Ele deve ter real conhecimento dos argumentos que esta utilizando, caso contrário será ridicularizado naquilo que crê. Crer é um verbo transitivo direto, quem crê, crê em alguma coisa. Se o seu conhecimento acerca do que você crê é pífio, infelizmente sua crença é pífia. Digo isso não somente em questões apologéticas, mas em questões emocionais e místicas o seu relacionamento com Deus também é afetado diretamente por aquilo que você conhece acerca dEle.

IV – Devo confessar que o quarto ponto que quero destacar é um dos meus preferidos. Um dos objetivos da apologia é envergonhar aqueles que difamam nosso proceder em Cristo. Note que isso deve ser feito para a glória das verdades bíblicas e não para nosso deleite pessoal. Todas as vezes que o doutor William Laine Craig vence um cientificista ateu em um debate filosófico essa pessoa é envergonhada em público, pois, tem seus argumentos contrários a palavra de Deus refutado por alguém capacitado para tal. Você pode ter certeza que tal incrédulo não se converterá depois da discussão e pode ate achar que isso será um desgaste e uma perda de tempo mas eu quero te lembrar que todas as vezes que você vence um embate retórico contra um descrente há pessoas assistindo e essas pessoas terão a oportunidade de perceber que aquelas idéias defendidas pelo descrente não são verdadeiras e terão uma chance de aprender o caminho correto. Se você se abstém da discussão por que o descrente é seu amigo ou mesmo por que não esta preparado para tal tenha consciência de que nesse momento você esta perdendo uma oportunidade de testemunhar e defender a palavra de Deus. Note que o discernimento é fundamental aqui, não estou incentivando ninguém a ser um inconveniente causador de polêmicas, todos devem ter a sagacidade de saber a hora correta de engajar em um embate apologético. Infelizmente o que ocorre é que perdemos constantemente oportunidades dadas por Deus de sairmos em defesa intelectual de sua palavra.

O mais triste hoje em dia é vermos pessoas que se dizem cristãs evangélicas negarem a apologia. Elas afirmam que a apologia é uma muleta para intelectuais que não se curvaram ainda diante da dependência de Deus e ainda completam seu argumento pueril dizendo que nada além da fé é necessário para se conhecer a Deus. Em nosso ponto de vista este tipo de pensamento vem se alastrando no meio evangélico, principalmente por dois motivos:
O primeiro diz respeito a constante busca por experiências místicas no meio evangélico de nossos dias. Infelizmente hoje dizer que se descobriu algo importante lendo a bíblia não tem mérito algum ao passo que dizer que um anjo o visitou em sonho e o revelou algo rende badalação e uma espalhafatosa aparição no “culto” de domingo perante uma platéia lotada. Dessa forma, o meio evangélico vem perdendo credibilidade a uma velocidade alarmante a tal ponto que quando chegamos a uma universidade, por exemplo, temos que primeiramente nos desfazer da má fama que vem sido imputada aos evangélicos para só então depois ganhar a confiança das pessoas e poder prega-las o verdadeiro evangelho. Quanto a este aspecto vale sempre citar Martinho Lutero que disse a seguinte frase: “Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir."
O segundo motivo pelo qual pensamos ser responsável pela apologia estar em baixa no meio evangélico contemporâneo é o fato de que a maioria esmagadora das igrejas não-históricas não disporem de um sistema de ensino bíblico eficiente e coerente como a Escola Bíblica Dominical, por exemplo. Pautados então na ignorância a respeito da palavra de Deus estas pessoas preferem dar credito a conhecimentos inatos, revelados ou “profetizados” justamente por não possuírem uma oportunidade real de conhecer a palavra de Deus, que esta perfeitamente revelada nas escrituras. Como alguém que mal conhece o básico das escrituras dará valor a uma disciplina que pretende defender os mais complexos conceitos do cristianismo? Assim essas pessoas preferem ridicularizar nossos esforços para compreender, ensinar e defender o conhecimento bíblico sempre se utilizando de chacotas infantis como “Isso ae não salva a alma de ninguém!” ou mesmo “O evangelho é simples vocês é que o complicam” além é claro da clássica “Lá vem os batistas!”. Concordo plenamente que a mensagem salvadora da cruz é simples de se aceitar, ela esta divinamente apresentada em linguagem mítica e graças a isso pode ser facilmente compreendida por toda a humanidade, porém, qualquer pessoa que diga que a doutrina paulina da ressurreição dos mortos é algo simples esta sendo no mínimo soberba!

Concluindo, caso os argumentos tenha te convencido, agora você sabe que todo cristão é em dada medida um apologeta. O que não dá pra você discordar é do fato da própria bíblia exigir isso de você como cristão verdadeiro. Sabendo disso eu quero te conclamar a fazer uma escolha: você pode ser um mal apologeta ou um bom apologeta, você pode ser um cristão que sabe no que crê ou um cristão que de fato apenas sabe que vai pro céu e esta totalmente satisfeito com isso. O direito de escolha é só seu. Ninguém poderá forçá-lo a aprender sobre os argumentos que defendem a fé cristã. O que acontece é que de agora em diante você sabe que isso é um mandamento bíblico e sabe o quanto isso é importante. Portanto tome uma atitude hoje mesmo, estude a bíblia com mais afinco, procure o seu pastor ou pessoa que possa te ajudar a crescer no conhecimento da bíblia e a ter bases sólidas para fundamentar aquilo que você crê.
Em uma próxima oportunidade gostaria de compartilhar com você alguns dos principais argumentos lógicos, filosóficos e ate mesmo científicos que comprovam com a razão aquilo em que já cremos pela fé. Como diz o título de um dos livros de Karl Barth “A fé verdadeira esta sempre em busca de compreensão.”

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

"Do you want to believe in the living Christ?"



"Do you want to believe in the living Christ?" says Barth. "We may believe in him only if we believe in his corporeal resurrection. This is the content of the New Testament. We are always free to reject it, but not to modify it, nor to pretend that the New Testament tells something else. We may accept or refuse the message, but we may not change it." - Karl Barth

"Você quer acreditar no Cristo vivo? diz Barth. "Nós só podemos acreditar nEle se nós acreditarmos em Sua ressurreição corpórea. Este é o conteúdo do Novo Testamento. Nós sempre somos livres para rejeitar isto, mas não para modificar isto, nem fingir que o Novo Testamento conta qualquer outra coisa. Nós podemos aceitar ou podemos recusar a mensagem, mas nós não podemos mudar isto." - Karl Barth

Karl Barth, na minha opinião, foi, ao lado de C. S. Lewis, um dos maiores teólogos do século XX. Esse suíço tem uma história de vida muito interessante e deveras edificante. Barth, filho de pastor protestante, logo jovem já ingressou em uma faculdade Teológica para seguir os passos do pai. No entanto, Barth iniciou sua vida academico-teológica em uma universidade onde predominava a Teologia Liberal.

A Teologia Liberal é um ramo controverso onde as escrituras sagradas são interpretadas de maneiras as mais variadas imaginadas, sempre regadas à todo tipo de aparato filosófico e principalmente existencialista. A maioria dos teólogos liberais não crê de fato nos milagres nem nos aspectos sobrenaturais da bíblia e os interpretam de modo a transformá-los em lições de moral e honra ao invés de manifestações literais do poder de Deus. Essa perspectiva de interpretação bíblica surgiu na era Moderna juntamente com o Iluminismo e toda tentativa do ser humano de enquadrar tudo o que existe na "tal da racionalidade".

Aí você esta a pensar: "Mas Raul, pelo que eu li na frase do Barth, ele parece estar contra a Teologia Liberal!!" - Sim, ele esta. Graças a Deus, este homem tornou-se o que chamamos de Neo-ortodoxo.

Karl Barth e outros teólogos, dos quais falaremos em outros posts, perceberam algo de suma importância em suas experiencias pastorais. Os emaranhados filósofico-psicologicos-teológicos que eles aprenderam nas universidades pelas quais passaram de nada adiantavam em sua lida com suas "ovelhas".

Na famosa "hora da verdade" existencialismo filosófico e demitologização da bíblia de nada adiantavam para confortar pessoas. E mais grave ainda, Barth percebeu que estas interpretações racionalizantes do texto bíblico afastavam as pessoas do que realmente era a mensagem da bíblia: Jesus Cristo veio ao mundo para nos Salvar.

Barth então dá início a um movimento incrível onde ele, partindo do seu estudo pessoal da palavra, percebe que, não há o que se acrescentar à bíblia! A mensagem do novo testamento não tinha a menor necessidade de ser re-inventada para alcançar o homem moderno! E assim como Lewis havia saido do ateísmo e vindo para o cristianismo, Barth abandona a Teologia Liberal, na qual tinha sido treinado e ensinado por anos a fio, e parte de volta a Ortodoxia, porém uma Nova Ortodoxia. Dá-se início ao movimento "Neo-Ortodoxo".

Graças a humildade de Barth em admitir que praticamente TUDO que ele pensava sobre Deus e Sua palavra estava errado e carecia de reconstrução, hoje, nos contamos com a vastíssima, complexa e empolgante obra de Barth. A teologia dialética de Barth e sua orientação totalmente Cristocentrica foram, durante todo o século XX, a linha de frente contra uma teologia morta que relativiza a Salvação oferecida na Cruz pela morte de Cristo. E não me furto em afirmar isso, Graças a Deus por homens como Barth que lutaram contra uma perspectiva de interpretação bíblica que finge estar aproximando o homem de Deus, mas na verdade só o afasta pois relativiza aquilo que de fato aproxima o homem de Deus: a Salvação Literal que há na Cruz de Cristo.

As palavras de Barth no inicio deste texto foram ditas nada mais, nada menos, do que em uma entrevista para a revista TIME, onde a entrevista era matéria de capa. Mais uma vez afirmo que, se não nos furtarmos a pregarmos a mensagem do Evangelho de forma plena, Deus nos honrará. Quando Barth abandonou o Liberalismo Teológico, vertente quase unânime na Europa de sua época, ele certamente teve de enfrentar os principais teólogos da época e teve muitas dificuldades até arrebanhar seguidores que percebessem seus equívocos como ele teve a humildade de perceber. Mas Barth continuou pregando uma mensagem Cristocentrica e se tornou um dos maiores Teólogos da história do cristianismo.


Ps:. Sim, obviamente eu milito contra a Teologia Liberal. (Risos)

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Mais sobre Karl Barth:
http://en.wikipedia.org/wiki/Karl_Barth
Capa da revista TIME:
http://www.time.com/time/covers/0,16641,1101620420,00.html
Foto:
Karl Barth and his pipe.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A Glória de Cada Dia


Em um mundo onde o cotidiano é permeado pela corrupção
O dia-a-dia é violento, frio e maligno
A indecência e a maldade já estão nas pequenas coisas
Nos sentimos reféns dessa realidade
Nos tornamos apáticos
Mal percebemos, estamos nos acostumando

Mas nos devemos resistir!
Se o mal e a corrupção estão nas pequenas coisas
Que o bem e a decência estejam nas pequenas coisas também!
São as pequenas coisas
É nelas que seremos os agentes da mudança

Uma demonstração de ética
Contra um mar de corrupção
Uma demonstração de bondade
Contra um oceano de maldade
Será como uma faísca na mais densa escuridão
Não importa o quão pequena ela seja
É impossível não notá-la!

Venceremos pelas pequenas coisas
Resistindo a sós no cotidiano
Mostraremos que o correto ainda é bom
Seremos pequenas lanternas
Em meio a um mundo de trevas

"A" Palavra relampejará em nós
Se nos deixarmos usar por ela
Em uma fagulha de dignidade
Em uma fração de esperança
Em um simples gesto
Nós mostraremos
Que ainda pode existir
Glória no dia-a-dia

domingo, 24 de agosto de 2008

Adeus ao domínio do passado



Isaías 43:25 “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro.”

Salmos 103:12 “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões.”

Isaías 38:17 (b) “amaste a minha alma e a livraste da cova da corrupção, porque lançaste para trás de ti TODOS os meus pecados.”

Miquéias 7:19 “Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.”

Hebreus 9:14 “muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas , para servirmos ao Deus vivo!”

Romanos 8:1 “Agora pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”


A mensagem que tem falado ao meu coração, e que agora quero dividir com os irmãos, começa com uma constatação. Uma constatação que pretendemos que o irmão ouvinte tenha como certa em seu coração:

Seu pecado não é maior que o poder de Cristo em perdoá-lo.

O Espírito Santo nos convence do pecado para nosso arrependimento, Cristo nos perdoa e nos orienta para que daquele ponto em diante não pequemos mais. Porém, a consciência humana poderá, erroneamente, convence-lo de que você não merece mais a convivência no corpo de Cristo.

Neste caso sua consciência se configurará como uma pedra de tropeço que o levará a se afastar do lugar que Deus planejou para você, ou seja, a comunhão da Igreja.

Ao permitir que sua consciência o afaste da convivência da Igreja e gradualmente da convivência com o próprio Deus você esta cometendo uma série de erros graves, os quais pretendemos listar a seguir:

1° – Ao permitir que sua consciência o afaste de Deus e da Igreja você também esta considerando que existem “pequenos pecados” e “grandes pecados”. Acreditar nisto é um erro. Infelizmente cometemos pecados diariamente, no entanto crendo no poder do perdão de Cristo, continuamos fazendo parte de seu corpo e trabalhando em seu reino. Se é assim, porque alguns pecados fazem com que nos afastemos da comunhão?

O que ocorre é que, ao contrário do que é para Deus, para a sociedade humana existem graduações de pecado. Infelizmente para nossa sociedade mentir a seus pais sobre aonde você esta indo é um erro menor do que adulterar. No entanto a bíblia é clara em mostrar que aos olhos de Deus ambos são pecados iguais. Assim, quando você pensa dessa forma, você esta levando em consideração o que os homens pensam sobre o pecado e não o que Deus pensa sobre o pecado.

2° – Ao permitir que sua consciência o afaste de Deus e da Igreja você esta duvidando do poder do sacrifício remidor de Jesus Cristo. Podemos passar o resto da noite citando referencias bíblicas que provam que Deus, em sua onipotência, não faz obras incompletas. Ao considerar que cometeu um pecado imperdoável a pessoa considera automaticamente que Cristo não pode perdoar o pecado que ela cometeu. Essa afirmação entra em confronto lógico com todas as afirmações bíblicas que acabamos de ler!! Daí concluímos que este tipo de pensamento é uma afronta a obra remidora de Cristo. Cristãos maduros e experimentados no estudo da bíblia não devem concluir tal coisa!

3° - Ao permitir que sua consciência o afaste de Deus e da Igreja você esta lançando-se voluntariamente “as profundezas” do próprio pecado que esta afligindo sua consciência.

Perceba o círculo vicioso: Você esta se afastando da Igreja e de Deus por ter vergonha das consequências do pecado que você tem cometido, no entanto, ao fazer isto você esta reduzindo as suas chances de se livrar da situação de pecado! Alguém que queira se livrar de uma situação pecaminosa procura primeiramente a Deus que é de onde vem o perdão, e secundariamente a ajuda da Igreja que será o apoio na luta contra a reincidência no pecado, digo reincidência, pois depois de se confensar perante Deus seu pecado já foi perdoado cabendo a você apenas a tarefa de não pecar mais. É justamente aí que entra ajuda da comunhão no corpo de Cristo. Concluímos então que se a pessoa se afastar da comunhão da Igreja e de Deus ela estará criando uma situação em que ela se aprofundará mais ainda no pecado!

Se a sua consciência lhe incomoda por conta de atitudes pecaminosas o que você deve fazer é aprofundar-se mais ainda na comunhão da Igreja e do próprio Deus, pois, só assim você terá chances reais de livrar-se a opressão de sua consciência. Infelizmente muitos crentes, inclusive aqueles que já detem anos e anos nos bancos de nossas igrejas, cometem o engano de pensar que conseguirão lidar com situações de pecado sozinhos e baseados em uma suposta “maturidade” afastam-se da igreja com o seguinte pensamento: “Resolverei esse problema, deixarei este pecado! E então quando eu estiver limpo disto voltarei a igreja”. Quanta arrogância! A verdade é que, infelizmente, estes irmãos várias vezes nunca voltam. Acabam terminando suas vidas como reféns de suas próprias consciências, constantemente massacrados por elas e ainda por cima cometendo todos os erros que nós listamos acima. Um erro convoca outro, afastados da comunhão iremos caindo de abismo em abismo assim como uma fileira de dominós que caem sucessivamente.

Queremos deixar bem claro que em momento algum afirmamos que estes irmãos perderam a salvação. Pelo contrário, nos mesmos já afirmamos anteriormente que Deus faz obras completas e não pelas metades. No entanto pessoas que cedem as pressões da consciência podem perder a COMUNHÃO. E isto é terrível para a vida de um crente, pois, fora da comunhão o crente esta fora da vontade Deus para sua vida. A Igreja existe para apóia-lo, você não deve livrar-se do seu erro e depois vir a Igreja, ao contrário, a Igreja tem o dever de ajuda-lo a lidar com seus erros. Fora da comunhão da Igreja você provavelmente cederá cada vez mais ao erro.

O Cristão NÃO pode ceder à pressão da consciência e do passado. Devemos ter o entendimento de que o sacrifício de Cristo perdoou nossos pecados de maneira atemporal! Ele perdoou nossos pecados de outrora, os de agora e os que cometeremos no porvir.

O sacrifício de Cristo nos LIBERTOU e verdadeiramente somos LIVRES.

O Cristão deve dar um sonoro “Adeus”, ao domínio da consciência e de seu passado.



Adeus ao domínio do passado - Projeto Progressivo


Adeus ao domínio do passado
As coisas velhas já passaram
Já não há mais condenação
Ele a tomou sobre si
E para sempre a levou

Agora minha consciência
Desfruta de verdadeira paz
Pois o domínio do passado
Já não existe mais

Perdão verdadeiro
Esta é a chave da questão
Não é algo passageiro
Não há revogação

Adeus ao domínio do passado
Agora livre da culpa e da amargura
Eu me regozijo em Tua graça
Já não sou mais escravo do outrora
Mas sou um servo Teu agora

O sangue de Cristo me lavou
Tua graça me tocou;
O Santo Espirito em mim agora habita
E não há o que temer
Se em Teus santos caminhos viver.


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Esboço exposto na Igreja Batista Esperança no dia 24 de agosto de 2008, Goiânia.

domingo, 17 de agosto de 2008

O Dogma da Inexistência de Deus


Hoje durante a tarde estava lendo um texto do filósofo cristão William Lane Craig. O texto se encontra, muito bem traduzido, neste blog http://www.apologia.com.br/?p=79 . Dentre as muitas reflexões as quais o texto me guiou pretendo compartilhar com vocês a que, a meu ver, foi a mais importante:

"Apesar da existência de tantos argumentos filosóficos, históricos e até científicos a favor da existência de Deus, porque este assunto é tratado como um dogma em nossas academias?"

Aquilo pelo qual a academia tanto presa, que é a discussão, não é válido quando se trata da defesa da tese: "Deus existe." (Talvez porque esta tese atemorize o coração dos acadêmicos).

De fato devo admitir que em alguns setores acadêmicos essa discussão muitas vezes não é pertinente. Um curso como engenharia de alimentos dificilmente chegará a tal discussão. No entanto, praticamente todos os cursos de humanas, alguns de biológicas e o de física, cedo ou tarde, levarão seus alunos e professores a pertinentemente discutirem esse tema. Porém, na maioria esmagadora dos casos, a discussão será interrompida por um argumento "chulo" e totalmente anti-acadêmico, do tipo: "Crer em Deus é ilusório e infantil, prossigamos para um próximo assunto pertinente!" ou mesmo "Deus?!?! Isso é Dogma! Aqui não é lugar pra isso!"(Falo por experiência própria).
O amigo leitor não precisa ser nenhum especialista em "ordem do discurso" para perceber que o que esses alunos e professores estão fazendo não passa de uma inversão. O dogma existe sim, o dogma da inexistência de Deus.
A tese teísta (Deus Existe) não tem a mínima chance de ser defendida dentro de nossas universidades. Ao cursar história, filosofia, sociologia, física e tantos outros cursos, salvo raríssimas exceções, você será dogmaticamente obrigado a engolir as teses ateístas. O direito de discussão e liberdade de expressão dos quais o mundo acadêmico se orgulham, deixam de existir quando o assunto é o teísmo. Esta atitude, de reprimir alguém que tenta argumentar a favor de uma tese, é totalmente contrária a tudo que a academia prega. Porém, misteriosamente, a repressão toma o lugar da discussão quando o assunto é a tese teísta.
Infelizmente devo admitir que grande parte da culpa dessa dogmatização da inexistencia de Deus reside na incapacidade, quase que histórica, dos jovens cristãos universitários em defender sua fé com argumentos plausíveis e inteligentes. Escondidos na desculpa de que o evangelho se "prega pela fé" ignoram a orientação do apostolo Paulo que ensinou claramente que para ganhar pessoas para o Reino era necessário, muitas vezes, se fazer como elas, o que nada mais é que pregar da forma como as pessoas irão entender. Assim, a incapacidade crônica de defesa de sua fé, por parte dos próprios cristãos, engendrou, em partes, o preconceito acadêmico contra o argumento teísta. Porém é obvio que a grande parte da dogmatização da inexistência de Deus é decorrência da incessante tentativa de fuga do homem em relação ao próprio Deus.
Apesar de tudo isso, essa dogmatização pode ser contra-atacada, na medida em que os jovens cristãos comecem, progressivamente, a valorizar a chamada "teologia natural" , que é o ramo da teologia que prova a existência de Deus sem a utilização da escritura sagrada em si. Se cada vez mais o jovem cristão erguer sua mão em sala de aula para apresentar argumentos teístas concisos e bem estruturados ficará difícil para os ateus dominarem as universidades com seus dogmas.
Como mostra o texto que eu linkei no início deste post as universidades anglo-americanas estão caminhando rumo a uma grande vitória: o fim do dogma da inexistência de Deus.
É nosso papel conquistar essa vitória em nosso país. Se você é um cristão e pretende seguir carreira acadêmica, ou esta na universidade, este é um ministério que te conclama.
Ainda somos alvos da falácia que alardeia a "liberdade de discussão" na academia brasileira. Denuncie esta falácia e lute contra ela.


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Imagem:
O apostolo Paulo prega nas ruínas do areópago.
Giovani Pablo Pannini
1744
Oil on canvas, 64 x 83,5 cm
The Hermitage, St. Petersburg

Obs:, Clique na Imem pra vê-la em tamanho

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Conclusões Empíricas


O prazer do pecado é passageiro. Logo seguem-se suas tristes conseqüências acompanhadas do peso da consciência.
O prazer de resistir a tentação é duradouro. Logo seguem-se felizes conseqüências acompanhadas da tranqüilidade da consciência.